
Pessoas interessadas, tenho um comunicado importante. O manifesto está pronto. Consegui uma adesão muito importante, de um homem que opera misteriosamente. Ninguém pode entender, mas todos poderão sentir no teor de suas palavras que se apresenta a noção de identidade. Manifestasóis, além de cultura e arte somos cientistas do acaso. Peço o favor para que todos leiam. Com a palavra Dr. Leviano:
A mão infesta o sul
por Dr. Leviano
Pois bem, a cidade é Caxias do Sul e o clima geralmente é frio. E este frio não trata somente da ação da natureza sobre os homens que caminham, lá e cá, cá e lá; trata-se de uma cidade fria. De semblante cultural frio. Quer dizer... pode ser completamente ao contrário, se formos pensar em algumas manifestações musicais, ímpetos teatrais, labaredas dançarinas. Eu mesmo já caminhei muito por esta cidade, mesmo que não tenha passado a maior parte da minha vida lá. O cotidiano nos leva, realmente a pensar, que talvez esta cidade tenha um semblante industrial, e que as calças possam valer mais do que as próprias pernas (que tremeriam de frio, ainda mais nesta época do ano, sem as primeiras).
Mas há poucos minutos, quando eu digitei "labaredas dançarinas", pensei nas pessoas que realmente fazem cultura aí na cidade. São vários os grupos, alguns deles sequer conhecemos. Aí tem esta coisa, o ManiFestaSol. Alguns amigos, comparsas, conhecidos, e até mesmo desconhecidos que entram na roda e dançam, começam a se reunir para discutir idéias sobre reuniões artísticas noturnas, como se fossem festas ou bailes, onde haja um pequeno diferencial, que não é tão pequeno, mesmo que algumas pessoas não o percebam, mas aí está, o diferencial: as pessoas não estão lá simplesmente para ver pessoas e participar de uma festa, mas muito pelo contrário, brindar a arte em movimento, em suas variadas manifestações, como um Sol noturno que nos puxa pelas pernas e não deixa que o frio se alastre pela pele pérnica.
Então, parece que o pessoal planejou e fez alguns encontros, onde pessoas de fora apareceram e prestigiaram músicas, improvisos, passos de dança, pinturas, oficinas, tudo partindo de um ímpeto interno muito genuíno; genuíno, pois autoral; vi pessoalmente uma espécie de ritual que acontecera entre algumas apresentações; os atores faziam uma espécie de roda e entoavam uma espécie de mantra. Diferente das espécies animais, estas espécies eram bastante humanas, pois tratavam-se de manifestações que, integradas, formavam a idéia da arte em movimento, em constante mutação, pois não tratava-se só de uma reunião para ver o tal ritual; antes e depois, canções de todos os tipos e pessoas de todos os tipos transitavam no local. Parecia tão bonito quanto um zoológico com as jaulas e as asas, todas elas, completamente abertas!
Por fim, entrei em um dos banheiros e li um cartaz escrito "por favor, não mije na parede". Foi um tanto estranho, pois eu jamais havia pensado em fazer tal coisa. Mas aquele momento foi muito profundo, lembro exatamente quando o li, e um violino pareceu soar atrás de mim. A partir de então, a qualquer restaurante ou bar que visito, sinto vontade de mijar diretamente na parede. Pois talvez seja a única forma de lembrar daquele momento bonito. Eu pensava em mijar e o violino soava atrás de mim, eu saía do banheiro e atores se reuníam para um teatro combinado, eu me despedia da cena sob acordes frescos de uma banda que fazia novidade com o tão antigo e amado rock and roll. Eu lembro do momento e passo a dançar... passo a passo, sem frio algum... maravilhas do Sol noturno...
por Dr. Leviano
Pois bem, a cidade é Caxias do Sul e o clima geralmente é frio. E este frio não trata somente da ação da natureza sobre os homens que caminham, lá e cá, cá e lá; trata-se de uma cidade fria. De semblante cultural frio. Quer dizer... pode ser completamente ao contrário, se formos pensar em algumas manifestações musicais, ímpetos teatrais, labaredas dançarinas. Eu mesmo já caminhei muito por esta cidade, mesmo que não tenha passado a maior parte da minha vida lá. O cotidiano nos leva, realmente a pensar, que talvez esta cidade tenha um semblante industrial, e que as calças possam valer mais do que as próprias pernas (que tremeriam de frio, ainda mais nesta época do ano, sem as primeiras).
Mas há poucos minutos, quando eu digitei "labaredas dançarinas", pensei nas pessoas que realmente fazem cultura aí na cidade. São vários os grupos, alguns deles sequer conhecemos. Aí tem esta coisa, o ManiFestaSol. Alguns amigos, comparsas, conhecidos, e até mesmo desconhecidos que entram na roda e dançam, começam a se reunir para discutir idéias sobre reuniões artísticas noturnas, como se fossem festas ou bailes, onde haja um pequeno diferencial, que não é tão pequeno, mesmo que algumas pessoas não o percebam, mas aí está, o diferencial: as pessoas não estão lá simplesmente para ver pessoas e participar de uma festa, mas muito pelo contrário, brindar a arte em movimento, em suas variadas manifestações, como um Sol noturno que nos puxa pelas pernas e não deixa que o frio se alastre pela pele pérnica.
Então, parece que o pessoal planejou e fez alguns encontros, onde pessoas de fora apareceram e prestigiaram músicas, improvisos, passos de dança, pinturas, oficinas, tudo partindo de um ímpeto interno muito genuíno; genuíno, pois autoral; vi pessoalmente uma espécie de ritual que acontecera entre algumas apresentações; os atores faziam uma espécie de roda e entoavam uma espécie de mantra. Diferente das espécies animais, estas espécies eram bastante humanas, pois tratavam-se de manifestações que, integradas, formavam a idéia da arte em movimento, em constante mutação, pois não tratava-se só de uma reunião para ver o tal ritual; antes e depois, canções de todos os tipos e pessoas de todos os tipos transitavam no local. Parecia tão bonito quanto um zoológico com as jaulas e as asas, todas elas, completamente abertas!
Por fim, entrei em um dos banheiros e li um cartaz escrito "por favor, não mije na parede". Foi um tanto estranho, pois eu jamais havia pensado em fazer tal coisa. Mas aquele momento foi muito profundo, lembro exatamente quando o li, e um violino pareceu soar atrás de mim. A partir de então, a qualquer restaurante ou bar que visito, sinto vontade de mijar diretamente na parede. Pois talvez seja a única forma de lembrar daquele momento bonito. Eu pensava em mijar e o violino soava atrás de mim, eu saía do banheiro e atores se reuníam para um teatro combinado, eu me despedia da cena sob acordes frescos de uma banda que fazia novidade com o tão antigo e amado rock and roll. Eu lembro do momento e passo a dançar... passo a passo, sem frio algum... maravilhas do Sol noturno...
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Façam seus comentários, questões.
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Um desenho:
- Um fato, real, que está nas pernas de vocês! Expresso, concreto, material!
O desenho acima faz parte de uma releitura quasímoda da realidade. É assim, afirmando um fato dado, que começamos nossas averiguações sobre cultura. De fato, o que podemos entender por cultura? Algo que nos é tão peculiar, impresso em nós? O mundo nos está dado liturgicamente. Mas e quem constrói o mundo? Fazendo o recorte temporal para a cena em Caxias do Sul, o que seria uma manifestação cultural? Pode-se afirmar que Caxias, um terreno sinuoso, onde os padrões estéticos tomam formas laqueizadas (de laquê), se mostre também um terreno fértil não só para a Uva, mas também para a produção autêntica. Autêntica não é um adjetivo. Se voltarmos na cena cultural em Caxias, percebemos inusitadas coletividades que acham um meio de se expressarem, seja nos festivais polenta-frita, seja nos muros de nossa urbanidade. É inegável que possamos falar de coisas assim com um certo prazer, pois essas coisas são paridas por cabeças que tem vontade, e a vontade triunfa em prol da expressão. A expressão é inútil? Para que expressar-se? Para conhecer a si. Ou mais a fundo, para conhecer o ser humano, e daí desenvolver atitudes que beneficiem o meio. Alguns só querem uma festinha para se divertir, beber legal, ótimo. Se um dia voltarmos todos embebidos de poesia, estaremos bem, obrigado.
A cultura existe em qualquer lugar. Os conhecimentos sempre existem. Mas que paradigma vamos quebrar dessa vez?O pós-moderno nos diz: está tudo errado. - As vitórias históricas não nos bastam.
As discussões continuam.
Informativo Manifesta
- O grupo está apoiando e fará intervenções no Fórum Social da Juventude. Palestras de interesse da Juventude. Embora sejamos falange. hehehe.
Confira mais em: Fórum Social da Juventude
- O jornal Chaves, de Farroupilha, está com nosso apoio também, produzindo idéias para pessoas. É isso aí. Mandem mais informações sobre o trabalho aí.
- O jornal Chaves, de Farroupilha, está com nosso apoio também, produzindo idéias para pessoas. É isso aí. Mandem mais informações sobre o trabalho aí.
- Em breve, o pré-Manifestasol.
Abraços a todos, comentem e mandem suas sugestões, e levantem questões. Abaixar também é bom.
Ao lado, nos links, sites amigos. Visitem.
Um vaso de flor, caído vinte metros. Meu amor se foi, triste.
Varrei.
